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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bienal de Veneza

Artur Barrio leva o Brasil à 54ª edição internacional da mostra centenária

A 54ª edição da Bienal Internacional de Arte de Veneza tem sua inauguração, para convidados, nesta quarta-feira (1º) e será aberta à visitação a partir deste sábado (dia 4). Sob o título original ILLUMInazioni (em italiano), remete a um jogo de palavras, trata-se de luz, mas também de nações. Esta edição – que para nós leva o título de Iluminações - tem curadoria suíça Bice Curiger e ficará aberta a visitações até o dia 27 de novembro.

Foram selecionados 82 artistas, uma leva de nomes significativos para o circuito internacional, com destaque para Maurizio Cattelan, Philippe Parreno, Pipilotti Rist, Cindy Sherman, Llyn Foulkes, Jack Goldstein e Luigi Ghirri. Bice também joga luz à história, trazendo para esta edição da Bienal a presença do pintor veneziano Jacopo Tintoretto (1518-1594). Especialmente convidados pela curadora, os artistas Monika Sosnowska, Franz West, Song Dong e Oscar Tuazon foram encarregados de criar obras especialmente para a mostra.

Em meio a tantos nomes importantes das artes plásticas, um português radicado no Brasil desde 1955 leva o nome do Brasil neste evento centenário, mesmo não tendo entrado na seleção principal, aliás nenhum brasileiro entrou. Trata-se de Artur Barrio que ocupa o Pavilhão Brasil com a instalação inédita (Ex) Tensões y Pontos e com seleção de obras históricas. Por uma convenção antiga, o artista foi selecionado pela Fundação Bienal de São Paulo, mais precisamente por Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, ambos curadores da 29ª Bienal de São Paulo.

Para o crítico e curador Paulo Venâncio Filho, a arte brasileira tornou-se praticamente obrigatória em bienais e exposições coletivas no mundo e declara que Barrio é um grande artista, mesmo antes de qualquer premiação, referindo-se ao Prêmio Velázquez de Arte, concedido ao artista pelo Governo da Espanha, no início de maio deste ano.

“Achamos importante que, numa plataforma tão privilegiada como Veneza, o representante brasileiro pusesse um pouco em questão, com uma obra ruidosa e desconcertante, a visão bem-comportada que se possui hoje, hegemonicamente, do que é a arte contemporânea brasileira e, por extensão, do que é hoje o Brasil”, declara Moacir dos Anjos sobre a escolha pelo artista.

Da geração dos anos 60, Barrio vem de uma vertente política e conceitual. Em 1969, o artista criou as obras da série Situações, em que realizava intervenções em espaços urbanos e outros locais com carne podre, papel higiênico e dejetos humanos. Algumas imagens e registros desta série também estarão presentes no Pavilhão Brasil apresentando o trabalho performático, histórico e contundente de Barrio.

Nesta edição - regida sob a escassez de brasileiros - nacionais como Neville d`Almeida e Rivane Neuenschwander figuram nas poucas mostras paralelas de Veneza. Pode-se dizer que a 54ª edição da Bienal de Veneza será predominantemente representada por artistas europeus e americanos, ou mesmo europeus que vivem na América.

Para saber mais, clique aqui.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Luis Antonio – Gabriela


Cia. Mungunzá estreia peça sobre a vida do irmão homossexual do ator e diretor Nelson Baskerville


Nesta quarta-feira (dia 16), o Centro Cultural São Paulo recebe a estreia de mais uma montagem da Cia. Mungunzá, sob intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin, a partir do argumento de Nelson Baskerville. Trata-se da peça Luis Antonio – Gabriela, em que Baskerville coloca em cena a história de seu irmão mais velho, o homossexual Luis Antonio, que desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960 e parte para a Espanha sob o nome de Gabriela. A peça tem temporada gratuita, de quarta a sábado, sempre às 21h, até o dia 23 de abril.

A peça tem caráter de documentário cênico que se inicia no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha, aos 30 anos.

O espetáculo foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville; de sua irmã Maria Cristina; de Doracy, sua madrasta; e de Serginho, cabeleireiro e amigo de Luis Antonio. A montagem narra a história deste homossexual até o ano de 2006, data de sua morte em Bilbao, onde viveu, até então, como Gabriela.

Para esta montagem, o elenco – formado por Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto – teve que aprender a tocar instrumentos para executar a trilha sonora original composta por Gustavo Sarzi.


“Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, oito anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós, os irmãos da bicha, a família do pederasta e outros nomes”, declara Baskerville.

Em 2002, a família recebeu uma ligação avisando que Luis Antonio havia morrido. Maria Cristina foi atrás de notícias sobre o irmão e após alguns meses descobriu, através da embaixada brasileira na Espanha, que ele estava vivo, morava em Bilbao, onde passou a chamar-se Gabriela, havia sido uma das estrelas das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e estava com Aids, entre outras doenças. Em 2006, Gabriela realmente morreu.

A iluminação do espetáculo foi inteiramente construída pelos atores e pelo diretor e é operada de dentro do palco. Para a cena em que Maria Cristina leva Luis Antonio ao Guggeinhein de Bilbao, a Cia. Mungunzá encomendou 22 telas do artista plástico Thiago Hattner, para a caracterização de ambiente.

De acordo com Baskerville, as perguntas mais frequentes dos amigos ao saberem da história eram: “Mas vocês nunca mais se viram? Resposta: nunca. Por que não o trouxeram de volta ao Brasil quando o encontraram doente? Resposta: porque não. Você não foi nem ao enterro? Não. Fiz esse espetáculo”, afirma.


Everson Bertucci


http://www.cesargiobbi.com.br/materia/teatro/15563/luis_antonio_%E2%80%93_gabriela

sexta-feira, 4 de março de 2011

Cênicas no Carnaval


Saiba quais espetáculos se apresentam no feriadão


O carnaval chegou. Finalmente para uns, infelizmente para outros. Justamente no fim de semana em que a terra da garoa faz jus à fama, preparamos um roteiro especial para aqueles que preferem curtir o feriado prolongado debaixo da coberta ou para os foliões que ainda encontrarem fôlego para assistir aos espetáculos teatrais – entre uma marchinha e outra - que reestreiam, seguem sua programação normal ou terão sessões extras durante a folia.


Espetáculos como Ópera dos Vivos, A Gaiola das Loucas, Mambo Italiano, À Meia Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça, Os 39 Degraus, Ligações Perigosas, 12 Homens e Uma Sentença, Antes da Coisa Toda Começar, A Dócil, Toc Toc, Trair e Coçar é Só Começar, entre outras, estarão em cartaz durante o feriado. Outras duas peças reestreiam nesta sexta-feira (dia 4): Sessenta Minutos Para o Fim, no Teatro Paulo Eiró, e Amanhã É Natal, no Teatro Zanoni Ferrite.

Segue a relação das montagens, seus respectivos dias, horários e locais de apresentações. É se programar e curtir!

• Ópera dos Vivos – texto e direção de Sérgio de Carvalho, da Cia. Do Latão
Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 19h), no Sesc Belenzinho (R. Pe. Adelino, 1000, tel. 2076-9700);

• A Gaiola das Loucas – texto de Harvey Fierstein, direção de Miguel Falabella e Cininha de Paula
Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 21h, 21h30 e 19h, respectivamente), no Teatro Bradesco (R. Turiassu, 2100, Perdizes, tel. 4003-1212);


• Mambo Italiano – texto Steve Galluccio e direção de Clarisse Abujamra

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 21h30, 21h e 19h, respectivamente), no Teatro Nair Bello (R. Frei Caneca, 569, tel. 3472-2414);

• À Meia Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça – texto e direção de Mario Bortolotto

Terça e quarta-feira (dias 8 e 9, às 21h), no Espaço Parlapatões (Praça Roosevelt, 158, tel. 3258-4449);

• Ligações Perigosas – texto de Christopher Hampton e direção de Ricardo Rizzo e Mauro Baptista Vedia

Sábado e domingo (dias 5 e 6, às 21h e 18h, respectivamente), no Teatro Faap (R. Alagoas, 903, Higienópolis, tel. 3662-7233);


• 12 Homens e Uma Sentença – texto de Reginald Rose e direção de Eduardo Tolentino

Sexta, sábado, domingo, segunda e terça (dias 4, 5, 6, 7 e 8. Domingo às 19h, outros dias às 21h), no Teatro Imprensa (R. Jaceguai, 400, Bela Vista, tel. 3241-4203);

• Antes da Coisa Toda Começar – texto de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes e direção de Paulo de Moraes

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 19h30; domingo às 18h), no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112, tel. 3113-3651);

• A Dócil – texto Fiódor Dostoiévski e direção de Pedro Mantovani

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 18h), no Galpão do Folia (R. Ana Cintra, 213, Santa Cecília, tel. 3361-2223);


• Toc Toc – texto de Laurent Baufie e direção de Alexandre Reinecke

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 23h, 22h e 20h, respectivamente), no Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900, Bela Vista, tel. 3253-4102);

• Trair e Coçar é Só Começar – texto de Marcos Caruso e direção de Attílio Riccó

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6, às 21h30, 21h e 20h, respectivamente), no Teatro Bibi Ferreira (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 931, tel. 3105-3129);


• Sessenta Minutos Para o Fim – texto e direção de Cesar Ribeiro

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6. Domingo às 19h, outros dias às 21h), no Teatro Paulo Eiró (Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, tel. 5546-0449);

• Amanhã É Natal – texto de Mario Vianna e direção de Jairo Mattos

Sexta, sábado e domingo (dias 4, 5 e 6. Domingo às 19h, outros dias às 21h), no Teatro Zanoni Ferrite (Av. Renata, 163, Chácara Belenzinho, tel. 2216-1520).


Link da publicação

http://www.cesargiobbi.com.br/materia/teatro/15526/cenicas_no_carnaval

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sertanejo Homossexual

Novela Insensato Coração terá cantor gay enrustido se passando por hetero

Mais um personagem gay vai entrar na trama de Insensato Coração, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, exibida pela Rede Globo. Com o sucesso que o personagem Roni, de Leonardo Miggiorin, vem fazendo em horário nobre, agora o núcleo homossexual da trama terá outro membro: o cantor sertanejo Vicente, que será interpretado por Daniel Del Sarto.

O ator já gravou algumas cenas que irão ao ar a partir do dia 25. Del Sarto viverá um cantor gay enrustido e que se meterá em algumas confusões ao lado de Roni e Natalie (Deborah Secco). De acordo com a sinopse divulgada à imprensa, o personagem tem uma carreira consolidada no universo heterossexual, levando suas fãs - adolescentes completamente apaixonadas e loucas por ele - à loucura.

Vicente não pode revelar sua verdadeira sexualidade, pois isso poderia ser o fim de sua carreira como cantor. Percebendo que sua profissão está em risco por causa de seu envolvimento sigiloso com Paulo (Alejandro Claveaux) - seu ex-namorado que está a fim de se vingar - Vicente acaba topando se passar por namorado de Natalie para que sua homossexualidade não venha à tona.

Todo o plano será bolado por Roni, como estratégia para que sua amiga Natalie volte a aparecer na mídia e todos saiam beneficiados. Tudo ocorreria bem, não fosse por um pequeno problema: quando o ex-namorado de Vicente descobre a farsa, acaba indo até o clube Barão de Gamboa para desmascarar o namoro de fachada de Natalie e Vicente.

O casal Vicente e Paulo viviam tão bem que o cantor resolveu presentear seu amado com um carro. Algum tempo depois, eles tiveram um desentendimento e romperam o namoro. Foi então que Vicente resolveu não pagar mais as prestações do veículo, o que deixou Paulo enfurecido e com desejo de revelar toda a verdade sobre Vicente perante a sociedade, colocando em risco a carreira do cantor sertanejo. Esté é o motivo da vingança de Paulo.

Sobre seu novo personagem, Del Sarto disse que seu entrosamento com os atores Deborah Secco, Leonardo Miggiorin e Alejandro Claveaux foi crucial para que as cenas ficassem excelentes. “Eu adorei fazer o Vicente porque ele é diferente do meu universo, e oportunidades como essa só me engrandecem como ator”, declarou.

Agora é aguardar para ver como será o desfecho desta trama. Pelo jeito, momentos hilários estão por vir no núcleo gay do horário nobre.


Texto publicado no dia 8 de fevereiro de 2011, conforme link

http://www.cesargiobbi.com.br/materia/arco-iris/15391/sertanejo_homossexual

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

As Satyrianas - Uma Saudação à Primavera

A partir desta quinta-feira (dia 25), às 18h, o centro de São Paulo recebe a 11ª edição de um dos eventos culturais mais esperados do ano: As Satyrianas - Uma Saudação à Primavera. Em comemoração aos seus 10 anos na Praça Roosevelt, a Cia Satyros de Teatro promove o evento com 78 horas ininterruptas de programação envolvendo teatro, fotografia, exposições, palestras, cinema e música. O homenageado desta edição é o ator e crítico de teatro Alberto Guzik, que morreu neste anoe desenvolveu um papel fundamental na história do grupo.

Devido à reforma da Praça Roosevelt, o festival este ano fez uma parceria com o projeto Nova Augusta, que cedeu uma área entre as Ruas Augusta e Caio Prado para o encontro. Ao todo são mais de 30 espaços culturais que vão receber as atrações deste ano. O encerramento será neste domingo (dia 28), à meia-noite. Artistas renomados, como Elias Andreatto, Lauro César Muniz, Laís Bodansky, Marcelo Rubens Paiva, Marici Salomão, Rodolfo García Vázquez, Walcyr Carrasco, entre outros, apresentarão seus trabalhos durante o evento.

A grande festa cultural também receberá atrações internacionais, como os atores portugueses Óscar Silva e Pedro Barreiro, o diretor espanhol Pepe Nuñez e o uruguaio Hugo Rodas. Na tenda DramaMix, o público poderá conferir cenas curtas de até 20 minutos, de 50 dramaturgos, que serão encenadas por diversos atores e diretores da cena teatral paulista. Entre eles, Denise Fraga, Danton Mello, Mario Viana, Paula Cohen e Bruno Fagundes.

No Café Literário - que será realizado no Bar Rose Velt, na Praça Roosevelt, todos os dias a partir das 12h - artistas como Fernando Bonassi, Lourenço Mutarelli, Juliana Galdino, Jefferson Del Rios, Ingrid Dormien Koudela, entre outros, discutem temas em homenagem a Guzik.

Mais de 250 trabalhos de teatro, música e performance, foram enviados para apresentação no evento. Os selecionados se apresentarão no Espaço dos Satyros e na nova Tenda CenaMix, montada entre as ruas Augusta e Caio Prado. Outra novidade neste ano é o projeto Ouvi Contar, uma ousada experiência de teatro em domicílio, que será realizada em apartamentos da Praça Roosevelt, em uma parceria com a SP Escola de Teatro.

Nesta edição, o CineMix terá uma inovação: ao longo da festa será gravado e produzido o longa-metragem Satyrianas – 78 horas em 78 minutos, no formato documentário-ficção. Outra iniciativa inédita desta edição das Satyrianas são parcerias com os teatros Folha e Estúdio Emme, que ofereceram ingressos gratuitos para espetáculos em cartaz. Nos demais espetáculos do festival, o público é que decide quanto vale o show, pagando o ingresso consciente.

Outra atração que vai trazer o teatro para uma interação direta com o público é o Teatro da Vertigem, uma intervenção performática nas ruas da Bela Vista, durante o evento, a partir do texto Mauismo, de Fernando Bonassi. Trata-se de um exercício de investigação artística com caráter performático e de intervenção, que convida o público para o reconhecimento do espaço da cidade.

Outro destaque da programação deste ano é o Concurso Garotas Satyrianas 2010, em que mulheres, travestis e transexuais poderão concorrer.

Alguns destaques do festival:
Na programação geral de teatro, há destaques como os espetáculos dos Satyros: Roberto Zucco, Hipóteses Para o Amor e a Verdade, Justine, Filosofia da Alcova e Liz; Festival de Peças de Um Minuto, do Parlapatões; BOI, do diretor uruguaio Hugo Rodas; A Angústia desse Argumento, dos atores portugueses Óscar Silva e Pedro Barreiro; Lá Fora, Algum Pássaro dá Bom Dia, de Marcelo Rubens Paiva; Como ser uma Pessoa Pior, de Mário Bortolotto, entre outros.

Para ter acesso a toda a programação, incluindo, dança, fotografia, palestras e literatura, com todos os dias e horários, clique aqui.



As Satyrianas - Uma Saudação à Primavera
De 25 a 28 de novembro
78 horas de atividades culturais
Diversos espaços culturais
Pague o quanto puder.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

De Mãe para Filho

Empresário homossexual tem filho gerado no útero de sua própria mãe, no México



Jorge, um mexicano homossexual de 31 anos acabou de realizar o sonho de ser pai.
Para que seu filho pudesse ser pai, a mãe do empresário decidiu emprestar seu ventre para dar à luz ao bebê, se tornando assim mãe e avó ao mesmo tempo.


Em entrevista ao jornal Reforma, a mãe de Jorge declarou que foi seu primeiro neto. "Mas não o sinto assim porque também é meu quarto filho", completou. A mexicana, que preferiu não ser identificada, foi inseminada com o embrião do filho e os óvulos doados por uma amiga dele.

A proposta partiu da própria mãe de Jorge. Ela conta que teve a ideia após ver em um documentário que o melhor útero para fertilização em casos de barriga de aluguel é o da avó. “Minha mãe me dizia 'pense no bebê, uma mãe substituta luta todo o tempo para não querer a criança porque sabe que não poderá ficar com ela. Mas eu não, vai ser meu neto'”, conta o empresário.

As tentativas de inseminação artificial começaram em novembro de 2009, mesmo sabendo dos riscos que enfrentariam por conta da idade dela. Felizmente tudo ocorreu bem e o pequeno Dário nasceu no dia 1º de novembro, com 49 centímetros e pesando quase dois quilos e meio. O menino receberá os dois sobrenomes do pai.

No México, as leis permitem a prática da mãe substituta, desde que não haja negociação em dinheiro e se as mulheres tiverem parentesco em primeiro ou segundo grau, como avó, mãe ou irmã.


http://www.cesargiobbi.com.br/cesar/materia/variedades/14907/de-m-e-para-filho

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Outubro ou Nada

Jovem estudante sofre ataque homofóbico durante festa promovida por estudantes da Escola de Comunicações e Artes da USP


Henrique Andrade, de 21 anos, estudante de biologia pela Universidade de São Paulo (USP) e seu namorado, aluno do curso de Arquitetura, pela mesma instituição, alegou ter sido vítima de homofobia na madrugada de sábado (dia 23). Segundo afirma, ele e o namorado estavam sentados num sofá, abraçados e conversando, quando outros três jovens os surpreenderam com chutes e socos, além de palavrões homofóbicos. O fato ocorreu durante a festa Outubro ou Nada, realizada por alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, numa mansão localizada no Morumbi, em São Paulo.

O estudante registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. O jovem declarou que foi vítima de agressão física e moral, mas que não está a fim de punir ninguém. “Estou a fim de divulgar esse problema comigo para que ele seja discutido numa esfera mais ampla, buscar no futuro a criminalização da homofobia”, afirmou.

Henrique Andrade relata que os agressores estavam visivelmente alcoolizados. Eles tentaram intimidar o casal apontando cigarros acesos contra seus rostos. Duas garotas que estavam no local chamaram o segurança, mas este nada fez. “Nesse meio tempo, levei um tapa na cara na frente do segurança enquanto tentava dialogar com os indivíduos e um deles falou que eu e meu namorado estávamos marcados. A equipe de segurança só tomou uma atitude após a formação de um aglomerado indignado com a barbárie que estava acontecendo”, conta.


Segundo a vítima, os agressores também depredaram o carro de uma garota, na mesma noite, por ela ter dito que tinha amigos gays. “Eu e meu namorado estamos bem fisicamente, mas a agressão moral ainda dói. Estamos tomando as providências cabíveis juntamente com o Centro Acadêmico (CA) da Biologia e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo”.

Após receber o relato de Henrique, o Centro Acadêmico de Biologia decidiu fazer uma moção de repúdio. O documento está sendo distribuído na USP solicitando assinaturas dos estudantes.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Elvis & Madona

Longa que aborda a história de amor entre travesti e lésbica leva troféu de Melhor Roteiro, no Festival do Rio


Nessa terça-feira (dia 5), aconteceu a cerimônia dos premiados no Festival do Rio de 2010, no Cine Odeon. A estatueta de Melhor Roteiro foi para o longa Elvis & Madona, que narra a trama de amor entre uma travesti, interpretada pelo ator Igor Cotrim, e uma lésbica, vivida por Simone Spoladore. Quem recebeu o troféu, das mãos do ator Marcos Palmeira, foi o diretor do longa, Marcelo Laffitte.

A ideia do filme surgiu quando o diretor estava num quarto de hotel, em Miami, e na TV estava passando um programa de auditório, de brigas familiares, onde o assunto era um pai, que 20 anos após ter abandonado a família voltou como travesti. Mas o que estava sendo discutido no programa não era o fato dele ter voltado travestido de mulher e sim porque ele se apaixonou e ‘roubou’ a mulher de seu próprio filho. Foi a partir daí que o diretor se inspirou e criou a trama de Elvis & Madona.


Para Laffitte, o mais envolvente do filme, segundo os comentários que têm ouvido, é a história de amor humana, verdadeira e divertida que o filme narra. Um comentário comum de espectadores é que, depois de cinco minutos de projeção, esquece-se totalmente que os personagens são uma lésbica e uma travesti.

O longa foi um dos destaques na edição 2009 do Festival Mix Brasil, também chamando a atenção em eventos internacionais como o Melbourne Queer Film Festival. Elvis & Madona é cheio de diálogos naturais e sem enfeites, construindo um universo perfeito onde o amor não conhece gênero, apenas o coração, segundo definição do próprio diretor. O longa rende risadas, mas também toca em temas sisudos, como o preconceito contra pessoas LGBT.

O filme também era um dos favoritos na categoria Melhor Filme, mas este troféu acabou ficando com Vips - Histórias Reais de um Mentiroso, produção estrelada por Wagner Moura que narra a história de um dos maiores vigaristas do Brasil.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Violência psicológica resulta em suicídio de rapaz homossexual, nos Estados Unidos

O bullying, tipo de prática vexatória, fez mais uma vítima no mês de setembro, nos Estados Unidos. Desta vez, o adolescente homossexual Tyler Clementi, de 18 anos, que cometeu suicídio depois de ter um vídeo íntimo seu divulgado na internet. O garoto foi vítima de uma brincadeira de mal gosto de um outro adolescente com quem dividia um quarto na Universidade Rutgers, onde ambos estudavam.

Tudo começou no dia 19 de setembro, quando Dharun Ravi, que dividia o quarto com Clementi, postou em seu twitter uma mensagem dizendo que seu amigo havia lhe pedido o quarto até meia-noite. Ravi concedeu o pedido ao colega de quarto, mas ligou a câmera do computador e foi para o quarto de outro rapaz, Molly Wei, também aluno da instituição. De lá, ambos ficaram assistindo Clementi trocando carícias com outro homem.

Na semana passada, a dupla Dharun Ravi e Molly Wei foi detida e acusada de espalhar o material pela internet. Eles devem ser indiciados por violação da vida privada. Os rapazes postaram o vídeo no iChat e também o repassaram para outros alunos da universidade, expondo a intimidade de Clementi.

Três dias após a publicação do material pela rede, o jovem – não suportando a humilhação a que foi exposto - se jogou da Ponte George Washington, que liga Nova York a Nova Jersey. Antes disso, ele publicou em seu facebook a seguinte mensagem: “Vou pular da ponte GW, lamento”.

A universidade iniciou investigação para apurar os fatos. O diretor da instituição, Richard McCormick, disse em nota que se os estudantes forem considerados culpados, serão punidos. Detalhe: o jovem Tyler Clementi havia acabado de entrar na faculdade.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ensina-me a Viver


Peça de teatro dirigida por João Falcão fica em cartaz no Teatro Tuca até o dia 26 de setembro

Para aqueles que não viram a montagem de Ensina-me a Viver - protagonizada por Glória Menezes e Arlindo Lopes, que já esteve em cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro, sob a ótica do diretor João Falcão - há ainda a oportunidade de conferi-la a preços populares, em sua reestreia no Teatro Tuca, até o dia 26 de setembro.

Confesso que quando vi o nome de Glória Menezes no elenco fiquei com um pouco de receio, dado o desempenho da atriz na montagem Ricardo III - obra de Shakespeare, dirigida por Jô Soares – que valeu a pena somente pela atuação precisa de Marco Ricca no papel título. Sem desmerecer, é claro, alguns trabalhos marcantes da atriz em sua longa trajetória na televisão e cinema, embora a linguagem aqui seja outra.

Para quem não conhece o enredo de Ensina-me a Viver, a sinopse é simples e inusitada: seu autor, Colin Higgins (1941-1988), narra a história de um velho de quase 20 anos e uma menina sapeca, de quase 80. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. Arlindo Lopes dá vida a Harold, um garoto estranho que vive tramando seu próprio suicídio para chamar a atenção da mãe, enquanto Glória Menezes interpreta Maude, uma senhora com espírito jovial, cheia de encantos e muito esperta.

O encontro entre ambos acontece da forma um tanto quanto absurda: num cemitério. Maude aborda Harold e começa a conversar com ele. Aos poucos, tornando-se sua amiga, mesmo o garoto não lhe dando muita atenção nas primeiras abordagens. Ambos se envolvem numa relação de amizade que aos poucos vai se transformando até culminar no amor.

O espetáculo começa meio entediante e a gente fica com uma sensação meio incômoda e se perguntando onde isso vai dar. As respostas vão sendo apresentadas aos poucos e fazendo com que o público se envolva de tal forma a ponto de torcer para que o amor aconteça entre estes personagens de universos tão diferentes.

A direção de Falcão, que também assina a adaptação da peça, traz elementos lúdicos à montagem que são transpostos através da música, da iluminação e do jogo de cena que faz com as personagens. Ensina-me a Viver não é uma peça apenas de protagonistas. Seus coadjuvantes têm encantos fundamentais para que a trama funcione, como, por exemplo, as cinco personagens que o ator Antonio Fragoso encarna, um dos pontos altos do espetáculo. Em determinado momento - com a ajuda do elenco de apoio e da precisa iluminação - Fragoso vive três personagens que ficam em cena ao mesmo tempo.

Maude, com seus quase 80 anos, traz em si as traquinagens de uma criança - ora inconsequente, ora encantadora - e ao mesmo tempo, a sabedoria de quem não se apega às coisas materiais e supérfluas. Ela seduz pela poesia que enxerga em tudo e pela graça que consegue tirar daquilo que ninguém mais observa. Tudo isso é traduzido nas imagens lúdicas criadas pela direção.

Quando Harold percebe que sua vida mudou radicalmente, graças ao convívio com Maude, ela lhe faz uma surpresa na noite em que completa 80 anos. Quanto a Glória Menezes, desfeita a má impressão da montagem Ricardo III.

Everson Bertucci

Ensina-me a Viver
Tuca
R. Monte Alegre, 1024, Perdizes,
Sextas e sábados, às 21h30; domingos, às 19h
Até 26 de setembro
R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia); R$ 10 (professores e alunos da PUC-SP)

Texto publicado no site www.cesargiobbi.com.br no dia 12 de agosto de 2010 http://www.onne.com.br/cesar/materia/teatro/14334/ensina-me-a-viver

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gypsy


São Paulo recebe mais um musical da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho


Nesta sexta-feira (dia 23), às 21h30, São Paulo recebe uma versão do musical Gypsy, da Broadway. Com texto de Arthur Laurents, a montagem ganha versão brasileira de Claudio Botelho, direção de Charles Möeller, estrelado por Totia Meireles, Adriana Garambone, Eduardo Galvão e Renata Ricci, e ficará em cartaz no Teatro Alfa até o dia 17 de outubro.

A mega-produção brasileira conta com uma equipe de 38 atores, 17 músicos, além de 18 trocas de cenário e 140 figurinos. Quem traz o espetáculo a São Paulo, após temporada no Rio de Janeiro, é a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, responsável por sucessos como Avenida Q, O Despertar da Primavera, A Noviça Rebelde, Sweet Charity e Sete, o Musical, entre outros que já passaram pela cidade.

A montagem é baseada na história real da stripper Gypsy Rose Lee (Adriana Garambone), apoiada na personagem de Rose (Totia Meireles), a mãe dominadora que sonha em transformar suas filhas em estrelas do teatro. Como pano de fundo, a virada que houve no entretenimento americano nas primeiras décadas do século passado, com a decadência do teatro de variedades e o surgimento do burlesco, um tipo de teatro adulto, sendo ápice do strip-tease de mulheres em apresentações para o público masculino.

Tudo o que se vê no musical é fruto da cabeça de Rose, que cria os números, ensaia as meninas, escolhe os artistas mirins que participarão dos shows. Trata-se de um musical que se escreve e se conta através dos olhos e ouvidos de uma personagem obstinada, mas na verdade não é tão talentosa assim.

“Gypsy é mesmo um clássico. A história é fascinante, permite várias leituras. Tem mais de 50 anos de montagens e remontagens na Broadway e em Londres”, diz Charles Möeller, diretor o espetáculo.

Foto: Robert Schwenck/Divulgação

Texto publicado no site Cesar Giobbi no dia 22 de julho de 2010
http://www.onne.com.br/cesar/materia/teatro/14077/gypsy

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia histórico em que a Argentina aprovou o Casamento entre homossexuais


Dia 14 de julho. Guarde bem esta data, pois foi nela que a Argentina aprovou o casamento entre homossexuais. O país é o primeiro da América Latina a aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo. Um dia histórico, sem dúvidas. O país se torna a 10ª nação do mundo a reconhecer que os homossexuais têm os mesmos direitos de casais heterossexuais, como casamento, adoção, herança e outros benefícios.

A briga foi acirrada. Houve protestos de grupos religiosos, que organizaram marcha em direção ao Senado alegando que a medida era uma afronta à família tradicional e à igreja. Mesmo assim a votação foi favorável à comunidade LGBT. Foram 33 votos a favor e 27 contra, fazendo com que os homossexuais tenham seus direitos reconhecidos legalmente.

Mas para virar lei, o projeto depende ainda da sanção da presidente Cristina Kirchner, que já deu sinais de ser favorável à medida. “É um dia histórico. Se trata da primeira vez em que legislamos a favor de uma minoria", comemorou o senador Miguel Pichetto, líder do governo no Senado.

Ativistas LGBT argentinos comemoraram a decisão do Senado. "A lei representa o reconhecimento de todos os direitos que implica o casamento e também o acesso à igualdade perante a lei, que é uma ferramenta indispensável para conseguir a igualdade social", disse a titular da Federação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais da Argentina (FALGBT), María Rachid, em entrevista à agência Efe.

Com a aprovação, o país entra para a história como o 1º país da América Latina a permitir a união legal entre pessoas do mesmo sexo, ao lado de países como Bélgica, Islândia. Portugal, Suécia, África do Sul, Noruega, Holanda, Espanha e Canadá. Quem sabe outros países vizinhos, até mesmo o Brasil, siga o exemplo da Argentina e repense sobre a legalização da união entre homossexuais que, aliás, vem sendo discutida e reivindicada há muito tempo.

É claro que a aprovação da lei não significa o fim do preconceito e discriminação, mas com certeza é um bom começo.

Publicado no site Cesar Giobbi no dia 15 de julho de 2010
http://onne.com.br/cesar/materia/variedades/14001/14-de-julho

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Balanço da 14ª Parada Gay


Saiba como foi a maior manifestação LGTB do mundo que ocorreu nesse domingo (dia 6), na cidade de São Paulo

Foto: Vinícius Corrêa


São Paulo mais uma vez foi sede de outra bem sucedida Parada do Orgulho LGTB. Na sua 14ª edição, a manifestação fez com que milhões de pessoas se mobilizassem pela causa da diversidade. Nesse domingo (dia 6), a Avenida Paulista novamente ficou lotada de gente de todos os tipos, sexualidades, nacionalidades e diversas regiões do país. Com a temática Vote Contra a Homofobia – Defenda a Cidadania, os trios elétricos deste ano estavam decorados predominantemente pelas cores preta e branca. Mas não era apenas essas cores que despontaram pela mais famosa avenida do Brasil.

Desde cedo, era possível ver as pessoas nas ruas, chegando de todos os lugares e cidades mais próximas da capital, vindo de ônibus, de trem, de metrô, de táxi, à pé... enfim, elas simplesmente tomaram as ruas de São Paulo em direção à Paulista. A diversão e alegria eram expostas através das palavras, das roupas, das brincadeiras, das paqueras e das diversas personalidades que transitavam pela região.

De acordo com a Secretaria Pública da Segurança de São Paulo (SSP-SP), cerca de 1,4 mil policiais civis e militares foram designados para fazer a segurança das pessoas que foram lutar pela causa, ou simplesmente se divertir e prestigiar a grande manifestação pública, a maior do mundo. Também segundo informações do órgão, em 2009, o evento levou às ruas 3,1 milhões de pessoas. O número deste ano, até o momento, ainda não foi divulgado.

Por volta das 12h do domingo (dia 6), em frente ao prédio da Rádio Gazeta, os trios elétricos começaram o trajeto, que seguiu pela Avenida Paulista, desceu a Rua da Consolação até chegar ao ponto final: a Praça Roosevelt. Para os turistas estrangeiros que vieram participar da manifestação, havia policiais bilíngues que estavam devidamente identificados com as bandeiras dos países, além de policiais militares que dominam os seguintes idiomas: inglês, espanhol, italiano, alemão, francês e japonês, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Há quem tenha participado efetivamente da festa, indo às ruas levantando a bandeira da causa ou indiretamente, das sacadas e janelas das centenas de prédios por onde passou a passeata. Entre os manifestantes, a mais pura prova da diversidade. Os adolescentes à procura de uma paquera, heteros se enamorando, crianças fascinadas com tanta cor e novidade, grupo de travestis com seus seios à mostra, lésbicas de perucas roxas, go go boys se exibindo nos trios elétricos, drag-queens com suas performances alegóricas, transformistas com seus adereços criativos, vovós que acompanhavam pelas janelas dos apartamentos e gays que, como eles mesmos dizem, arrasavam na avenida.

Quanto às figuras públicas, Marta Suplicy estava presente na manifestação, como faz todos os anos. Já os principais candidatos à Presidência da República, Dilma Roussef, Marina Silva e José Serra não compareceram, nem por isso a festa deixou de seguir seu fluxo e quando os trios elétricos se aproximavam, literalmente, faziam o chão tremer. Ao som de Lady Gaga, Beyoncé, Madonna e outras tantas divas da música pop, e muita música eletrônica, todo mundo caiu da folia e levantou a bandeira contra a homofobia num som uníssono da canção “Se joga pintosa, põe rosa”, da drag Léo Áquilla, que vira e mexe tocava num ou noutro trio.

Alguns destes momentos foram registrados pelo fotógrafo sorocabano Vinícius Corrêa, de 21 anos, que levou para as ruas, além da sua câmera fotográfica, o seu olhar atento à manifestação. O resultado você confere nas imagens singulares que ilustram, exclusivamente, esse texto.


Everson Bertucci

Texto publicado no dia 7 de junho de 2010 no link abaixo:

http://www.onne.com.br/cesar/materia/variedades/13519/balan-o-da-14-parada-gay

terça-feira, 2 de março de 2010

Dourado x Angélica no BBB 10


Eliminação de lésbica causou discussões envolta da temática homofóbica


A eliminação da sister Angélica, ex-participante do BBB 10, da Globo, gerou diversos questionamentos sobre preconceito e intolerância que repercutiu não só no Brasil, como no mundo. O fato foi que o sétimo paredão, envolvendo os outros dois brothers Dourado e Dicésar, vai muito mais além do que um veredito de homofobia.

Não dá para ficar julgando que a rivalidade entre Dourado e Angélica tenha sido fruto de preconceito sexual. É só voltar a fita e ver que os dois estavam se dando muito bem. Até confidentes eles eram. Quem viu deve lembrar do dia em que ela pediu a opinião dele sobre o que ele faria se estivesse gostando de alguém da casa e ele disse que não saberia agir, mas se ela sentisse abertura em relação a uma das garotas, que fosse em frente e investisse. Ele ressaltou que é muito tímido para tomar iniciativa, mas que se ela deveria agir, se sentisse vontade.

Tudo ia bem entre eles até o momento em que Dourado, numa das conversas envolvendo Lia, declarou que tinha ficado feliz por esta ter voltado do paredão que eliminou Lena. Ele disse ter ficado contente por ela ter ficado, já que a considera sua aliada no jogo. O fato do brother ter usado a palavra aliada, ao invés de amiga, deixou Angélica incomodada porque ela cansava de dizer que “jogava com o coração”, dentro da disputa. Ela o questionou e eles entraram em atrito. Nem a própria Lia se incomodou com a forma que Dourado a caracterizou, o que também incomodou Angélica. Chamar isto de homofobia é precipitar-se demais. Não foi a sexualidade o pivô da discussão. O fato de um hetero brigar com um homossexual o caracteriza em delito homofóbico?

Claro que todo esse rebuliço não anula as grosserias de Dourado. Que ele tenha proferido várias frases preconceituosas contra os gays é inegável e claramente perceptível, assim como é possível ver que o moço consegue fazer uma auto-análise e voltar atrás sobre suas declarações e comportamento. Quem é que não lembra da cena envolvendo ele e Serginho numa das refeições na casa, em que ele perdeu o apetite quando o garoto começou a falar sobre sexo envolvendo homens? Foi realmente um comentário muito infeliz da parte dele, mas que depois ele reconheceu o erro e conversou com Serginho frente a frente, reconhecendo a grosseria e se desculpando. Se tudo não passou de jogo é outra história.

O fato dele ter declarado abertamente que gostaria que Angélica deixasse o jogo foi porque ela,que se dizia “jogar com o coração”, foi contar toda a história para outros participantes e combinar voto para colocá-lo no paredão. Isso é jogar com o coração? (se é que se pode considerar frase tão infame e penosa aos ouvidos). Ele percebeu a trama de Angélica e a briga ficou ainda pior. Só porque alguém da casa vota em alguém que é gay isso o torna homofóbico? Vale lembrar que o próprio Serginho votou em Angélica, quando saíram do quarto branco, sem saber que ela já estava emparedada por decisão da casa. Lembrar também que Dicésar votou em Serginho sem saber que este tinha ganhado a imunidade do público ao permanecer por 50 horas confinado no tal quarto. Dicésar tinha a opção de votar em Cláudia, que não é lésbica, em defesa dos coloridos Serginho e Angélica, mas não o fez.

Declarações homofóbicas Dourado realmente já proferiu aos punhados na 10ª edição do BBB, assim como também está mostrando que consegue perceber seus erros, consegue discutir e ouvir os outros e parece que está aprendendo muito com isso. Mas afirmar que o Brasil é homofóbico apenas, levando em conta a eliminação de uma candidata lésbica, é no mínimo, precipitado. Talvez tenha ficado muito mais em evidência o fato de Angélica ter feito o que condenava em Dourado: a combinação de votos. Talvez o fato dela ter “causado intriga, feito fofoca”, como ele próprio acusou o tempo todo, tenha sido um dos motivos que levou à sua eliminação até porque tinha outro candidato gay no paredão, Dicésar, que ficou apenas com 7% dos 77 milhões de votos. Por que ele também não foi alvo dos votos? Vale refletir.

Sabe-se que o caso ganhou notoriedade em diversas partes do mundo e a comunidade gay se mobilizou em defesa da moça. Até o músico Boy George fez declarações e pedidos no Twitter. Ele escreveu que um homofóbico lidera o BBB 10 e pediu para que os brasileiros o eliminassem do programa, se referindo a Dourado. Se formos nomenclaturar tal declaração como poderíamos chamá-la? Heterofobia? Se for seguir a lógica usada contra Dourado, parece que sim. Mas não vem ao caso ficar inventado mais moda.

Dourado, assim como outros brasileiros não sabem lidar com a homossexualidade, mas isto não os torna homofóbicos, talvez ignorantes. Dentro da própria comunidade gay existem divergências. Tem gay que não suporta e até faz comentários maldosos em relação a outros gays. Tem gay musculoso que não tolera gay afeminado. Tem afeminado que não admite relação com gays mais reservados. Os mais reservados que não aguentam os mais cult´s. Os cult´s que não se dão bem com os mais esnobes... Assim como no universo heterossexual, mulheres e homens não se dão bem com outras mulheres e homens, mas não por causa de suas sexualidades e sim pelo convívio, pelos gostos, pelas afinidades, pelas escolhas... enfim, motivos é o que não faltam para gostar ou desgostar de alguém e nem sempre a sexualidade é o principal fator.

Se o Brasil é tão homofóbico como foi dito por várias pessoas por causa da eliminação de Angélica, como esse mesmo Brasil deu o prêmio máximo, do BBB 5, ao gay assumido Jean Wyllys? Ele venceu porque mostrou ter uma personalidade que causou identificação na maioria do público. Mostrou seu caráter, seu carisma, sua autenticidade e sua simpatia, independente da sexualidade. Ele não foi eleito por ser gay. Foi eleito por ter demonstrado saber conviver, respeitar e se relacionar com o outro da forma mais íntegra possível. Outros candidatos homossexuais passaram pela casa, em outras edições e foram eliminados como outros tantos heterossexuais que nada ou pouco tinham a acrescentar ou a mostrar. E assim continuará sendo.

Everson Bertucci

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dentro de In On It

Peça em cartaz no Teatro Faap traz de volta à cena paulistana trabalho de Enrique Diaz


Uma das características do diretor Enrique Diaz é trazer ao palco questionamentos metalingüísticos. A desconstrução do texto também está entre suas características, embora em In On It isto fique mais por parte de Daniel MacIvor, quem assina o texto. Quando dirigiu Ensaio.Hamlet, em 2004 pela Cia. dos Atores, apresentando uma montagem altamente inovadora e criativa, Diaz demonstrou que o texto é uma apenas uma das muitas ferramentas que se utiliza para um espetáculo funcionar, mas para isto uma boa equipe e atores afinados e integrados são fundamentais para um resultado eficaz.

Ensaio.Hamlet - construído a partir de Hamlet, de William Shakespeare - estreou no Rio de Janeiro, e fez curta temporada, em São Paulo, no Sesc Belenzinho. No elenco estavam Fernando Eiras, Malu Galli, Bel Garcia, César Augusto, Felipe Rocha, e Marcelo Olinto. A montagem foi bem recebida pela crítica e público que levou em conta a desconstrução do clássico, a direção e a entrega dos atores. Pelo mesmo princípio de pensar o teatro dentro do teatro, em 2006, Diaz montou A Gaivota, de Anton Tchekhov, que trazia os atores Emílio de Mello, Thierry Trémouroux, Alessandra Negrini, Felipe Rocha, Lorena da Silva, Isabel Teixeira e o próprio Enrique Diaz.

Repetindo a parceria com Fernando Eiras e Emílio de Mello, o diretor traz agora ao público a peça In On It, em cartaz atualmente no Teatro Faap. A montagem prova que não adianta uma encenação cheia de efeitos técnicos e visuais se o elenco não está preparado, se o ator não foi bem conduzido e explorado para transmitir a história do personagem com verdade, de dentro. O que In On It transmite é justamente isto: a exploração do ator para que ele consiga vivenciar os personagens da forma mais simples e honesta possível. Faz com que o público veja aqueles personagens por dentro e sem uso de adereços. Na peça, os atores Eiras e Mello não precisam elementos externos para interpretar uma mulher, um velho ou um adolescente. Seus personagens vêm de dentro.

Quando Diaz lança a proposta de colocar apenas dois atores em cena e fornece a eles apenas um casaco e duas cadeiras como únicos elementos de cena é porque o fundamental ali são os atores e como eles podem se relacionar com tais objetos contando uma história que envolve várias vidas, como é o caso da montagem. São dois atores que estão discutindo a melhor maneira de conduzir um espetáculo, de construir um texto, de dar credibilidade e verossimilhança àquelas personagens.

A maioria das vidas está dentro do casaco. É de lá que elas saem. O início do jogo cênico que é proposto ao público pode parecer meio estranho, um pouco forçado, mas aos poucos os atores vão dominando a situação e acabam fazendo com que a plateia entre dentro da história, da história que está saindo de dentro deles. As rápidas transformações, as trocas de personagem, os questionamentos sobre a montagem, o andamento das cenas, o auto-questionamento sobre as interpretações, o humor. Pontos muito bem explorados pela dupla, refletindo o papel da direção.

In On It desperta sentimentos diversos. Traz à tona tristezas transformadas em poesia, em beleza. Por um instante, aqueles um pouco mais sensíveis se veem mergulhados numa das histórias com tanta intensidade que se esquecem que é tudo encenação, que são dois atores passando uma cena e se entrega de tal forma que é possível sentir uma outra atmosfera criada através da palavra, da palavra que veio de dentro. De dentro também vem o choque com a realidade quando eles jogam um balde de água fria fazendo com que toda a poesia se evapore e puxando pelos pés os que se deixaram flutuar, jogando-os novamente nas poltronas quando o fim era dado como certo. Tudo é teatro! E os aplausos... de dentro.

Everson Bertucci

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Beyoncé através dos vagalumes

A diva da música pop leva multidão ao Estádio do Morumbi, em sua única apresentação no Estado



Depois de esperar durante 1 hora e 38 minutos, terminada a apresentação da cantora Ivete Sangalo, encarregada da abertura do tão esperado show da musa pop, Beyoncé, marcado para sábado (6), no Estádio do Morumbi – as luzes do local se apagaram por completo, precedendo a entrada da cantora. Se existia cansaço nas pessoas, que tanto esperaram por ela, ele se foi num segundo, e os gritos de delírio tomaram conta do estádio. Um minuto depois, exatamente às 22h22, a cortina se abriu com o clássico efeito da fumaça... e lá estava a diva.


Os fãs foram ao êxtase e o que se via eram centenas de máquinas fotográficas, filmadoras e celulares, todos apontados na mesma direção: o palco. Era possível ver a cantora refletida nas inúmeras maquininhas, que mais pareciam uma legião de vagalumes tecnológicos. Beyoncé soltou o vozeirão e seguiu com suas canções, já bem assimiladas pelo público. Quem conseguiu observar ao redor, percebia o estádio todo iluminado com as luzezinhas azuis dos aparelhos.

Seu primeiro figurino, bem insinuante por sinal, tinha um laço na parte traseira. Há quem comentasse o mal-gosto da escolha, mas bem que alguns homens expressaram, através de piadinhas, a vontade de puxar o laço e descobrir o presente que havia ali. Logo depois, a cantora entrou toda de branco, com o mar ao fundo, no telão. Em seguida, Beyoncé foi até a frente do palco e começou a cantar Ave Maria. Foi um dos momentos marcantes do evento, cheio de efeitos visuais.

Outro desses momentos de delírio foi quando a musa pronunciou as palavras São Paulo, com seu sotaque americano. Foi aplaudida e ovacionada. Por um momento, foi como se ela tivesse dito “acabou-se a fome e a miséria no mundo”, mas era apenas o nome da cidade mesmo. Se alguém foi ao show apenas para comprovar que a intérprete conquistou sua fama pelas belas pernas, bumbum arrebitado, cabelão turbinado e rosto bonito - juntado tudo numa boa produção audiovisual -, talvez tenha se surpreendido com a performance e fôlego da estrela.

Beyoncé desceu até a plateia, passou a mão em alguns fãs, beijou camisetas e jogou para o público (tudo como o manda o figurino), perguntou o nome de um fã e o incorporou numa das músicas. Também fez homenagem ao Brasil - carregando a bandeira nacional - e fez com que a multidão se entregasse a ela, num ritual que transcendeu qualquer explicação lógica. Independentemente de ter ou não qualidade, Beyoncé conseguiu cravar seu nome na história pop da música. Se isso vai longe? Só o tempo vai responder.

Um episódio inusitado foi quando entrou um vídeo ao som da música Single Ladies, com imagens de fãs reproduzindo a performance da estrela. Crianças, adolescentes, adultos, idosos, homens, mulheres, artistas e até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fazendo estripulias das mais inusitadas e hilárias com a música. Ao final da exibição, Beyoncé entrou com seus bailarinos e finalmente cantou o último número do show. Não houve quem não cantasse o refrão. Mesmo quem não suporte a música, sabe a letra. O mais curioso era ver que, até os marmanjos, faziam a cena da mãozinha (quem conhece a coreografia sabe do que se trata).

Encerrada a música, a diva saiu de cena, mas logo voltou para o bis. Entrou cantando Halo, fez homenagem a Michael Jackson e, exatamente à 0h17 do domingo (dia 7), finalizou a apresentação. A frase I am (que dá título à turnê) estava atrás dela, no telão, e quando Beyoncé fez sinal de que era o fim, a frase foi completada com Yours. As cortinas se fecharam com os aplausos de todo o estádio. E no telão: I am... Yours.

Beyoncé deu um show de profissionalismo e, no mínimo, comprovou que sabe conduzir uma plateia sedenta de entretenimento de qualidade. Se houve playback, ele não foi percebido. O que se notava, pelos telões, era muita emoção e deslumbramento no rostos dos fãs. Homens e mulheres chorando de alegria ou sabe-se lá por quê.

Everson Bertucci

Texto publicado no dia 08 de fevereiro de 2010 no link
http://www.onne.com.br/cesar/materia/variedades/12169/beyonc-em-s-o-paulo

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os Seresteiros da Praça da Luz



Trio faz um mergulho na cultura popular brasileira num resgate de canções antigas




Nos arredores da Pinacoteca e do Museu da Língua Portuguesa, entre cultura contemporânea e moderna, esculturas e monumentos, entre prostitutas, cafetões, bêbados, crianças, adolescentes e adultos, a Praça da Luz é cenário para um trio de seresteiros que fazem um resgate de canções populares, nas tardes de sábados e domingos, cantando e tocando músicas que, hoje, quase não se ouvem mais nas rádios.

Passear pela Praça da Luz pode tanto ser um divertimento, como estar perto e atento a um leque de opções culturais. Em frente a ela, o Museu da Língua Portuguesa oferece várias opções de conhecimento dentro da nossa língua. Do lado, a Pinacoteca disponibiliza exposições de artistas relevantes nacional e internacionalmente. E nem precisa entrar na instituição para apreciar seu acervo. No próprio parque há inúmeras esculturas espalhadas, de artistas como Lasar Segall e Caciporé Torres.

Antes de atravessar o portão que dá entrada à praça, já é possível sentir o cheiro do verde. Uma jaqueira, com frutos e repleta de folhagens, dá o ar da graça. Ao entrar, pessoas de todos os nichos circulam pelos corredores do lugar. E bem próximo ao portão, sentados num dos bancos, os seresteiros Erito de Souza Leão, de 76 anos, Felimom Franco, 69, e Antônio José Gonçalves, 67, encantam a plateia que para, ouve, se encanta e segue.

Como todo o centro de São Paulo, a Luz também se tornou um lugar de passagem, e enquanto as pessoas passam, Leão dedilha o saxofone, Franco e Gonçalves o acompanham no violão. Alguns chegam bem perto do trio, outros admiram, ficam mais de longe, se empolgam, fazem pedidos, outros, permanecem contidos, ouvindo em silêncio. Leão para o saxofone e começa a cantar. Uma voz grave, forte. Uma voz de quem já viveu e cantou bastante.

Alguns estudantes conversam com os músicos, lhes fazem perguntas, filmam, fotografam, questionam. Eles respondem, atendem, brincam, fazem piada e voltam a tocar e cantar. Num certo momento, a plateia se torna totalmente masculina. Vários homens, de diferentes idades, observam os cantores e tocadores. Seus olhares têm expressão de lembrança.

Antonio Domingos dos Santos diz que sempre passa para ouvir os seresteiros. “Ouvi-los cantar me traz muitas lembranças. Lembro da minha família, de momentos que vivi. A música tem o grande poder de marcar épocas, vidas, momentos especiais. Na minha história não foi diferente”, completa.

Tudo de mais inusitado acontece nos corredores da praça. Enquanto o trio canta, passam artistas de rua com números circenses, senhoras passeiam com seus netos, senhores negociam com as prostitutas, casais passam de mãos dadas trocando carícias. Nada afeta os seresteiros, nem o barulho da trupe do circo, tampouco o estrondo dos aviões que sobrevoam o parque.

Nostalgia

Quem viveu entre as décadas de 20 a 50 certamente irá parar quando o trio começar a tocar: “Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso...”, de Pixinguinha, ou um Samba canção de Noel Rosa, “Perto de você me calo, tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar...”. O resgate de músicas antigas, feita pelo trio, tem o intuito de não deixar que músicas da época vivida por eles, morram. Franco diz que são canções muito bonitas e que estão caindo no esquecimento. “Podem ver que aqui chega muita gente e pede uma música, um samba canção de Nelson Gonçalves, mas tem muitos que não conhecem. Porque as músicas foram engavetadas, infelizmente, esquecidas”, diz.
Não há quem não passe e pelo menos por um minuto não pare, não fique curioso, quem não passe pelo caminho e cantarole algumas estrofes da música. “Antigamente as músicas tinham mais melodia, mais poesia, mexiam com as pessoas, com seus sentimentos. O Nelson Gonçalves tocava violão, cavaquinho, pandeiro. Assim como a banda Demônios da Garoa ainda mantém essa tradição”, declara Franco.
É começar a dedilhar a introdução de alguma música que as pessoas que estão passando param, fazem roda, conversam com os músicos, fazem escolhas - são exigentes - dão palpites. A Música começa nos primeiros acordes no sopro do sax, logo em seguida os dois violões acompanham. Se ouve Cartola, Pixinguinha, Ary Barroso, Chico Buarque, Roberto Carlos, entre outros clássicos.


A Formação do Trio

Franco e Gonçalves faziam parte de um trio formado por outro integrante, Jorge, que tocava cavaquinho, falecido há quase dois anos. Eles tocavam samba e samba-canção, sempre na rua 15 de Novembro, no centro da capital paulista. Após a morte do parceiro, a dupla resolveu tocar no Parque da Luz, onde conheceram o saxofonista Erito de Souza Leão.

Leão conta que o encontro com a dupla Franco e Gonçalves não foi casual, pois já tinha ouvido eles tocarem na rua 15 de Novembro e desde então, passou a admirá-los. Quando os encontrou na Praça da Luz, aproveitou a oportunidade, os abordou dizendo que tocava sax e que gostaria de tocar com eles. O músico relata que, no início, Gonçalves não acreditou muito e até fez piada da situação, mas acabaram conversando melhor e formaram um novo trio.

Para eles, o compromisso é com a música e com o prazer de fazer o que realmente gostam. Eles não têm um vínculo profissional e nem a obrigação de tocar. Simplesmente se encontram porque gostam do que fazem e se reúnem para tocar aos sábados e domingos no parque, embora isso não seja uma obrigação. “A gente procura tocar aqui todo final de semana, mas quando não dá não tem briga. Nós não temos uma agenda”, completa Franco.


Por Everson Bertucci, Flávio Rocha e Tainá Pio

Publicado no link http://www.onne.com.br/conteudo/11499/os-seresteiros-da-pra-a-da-luz