Mostrando postagens com marcador O Diário de Alice. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Diário de Alice. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 45 - recomeço

Hoje talvez seja o dia mais difícil da minha vida. Não, diário, não é drama. É sério. Hoje é o dia que eu escolhi para morrer. Quero muito lhe pedir que me perdoe. Não quero que fique triste, apesar de ser o único que sentirá minha falta. E então, “perdoa eu”? Primeiro diz se perdoa, depois lhe digo do quê. Perdoa? Brigada! Queria que me perdoasse a arrogância, a intolerância, a grosseria.... espera, diário, ainda não terminei. Que me perdoe por toda a prepotência e egoísmo. Quero que saiba que graças a ti, a minha vida se transformou... e eu acho que foi pra bem melhor. Você me fez querer ser uma pessoa melhor. Isso não tem nada a ver com gentileza, você vai entender o por quê. Para que eu consiga voltar à vida, preciso abandonar esta, preciso deixar de escrever e viver. Apenas viver, diário. E agora o verdadeiro pedido de perdão: infelizmente para abandonar esta vida, terei de abandonar você. Por favor, não chore, eu já decidi. Por mais que isso me doa. Oi? Eu também, eu também te amo, diário. Mas terei de fazer uma coisa que vai me dilacerar. Para que este meu “eu” possa morrer... diário... terei de matá-lo. Minha morte se dará através de ti. Eu sei que é covardia. Talvez eu não saiba ser de outro jeito, mas vou tentar.... eu prometo.


Lentamente, ela arranca folha por folha do diário e, aos prantos, as queima.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 44 - descoberta

Acabo de voltar de uma viagem muito triste. Lá eu descobri que não sou mais aquela menina sonhadora que ia revolucionar o mundo. Que eu não tenho mais o brilho forte no olhar, nem a sede da mudança. É muito triste descobrir que se é muito pequena. O tempo passa e com ele a gente cresce. Logo eu que sempre quis crescer. Foi assim que voltei de dentro de mim, com essa deficiência... descobri também que... eu... boa noite, diário!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 43 - transiçao

No terceiro encontro... não importa. Nem o terceiro e nenhum outro. Preciso parar de pensar no que não foi, parar de vivenciar o passado, parar de me martirizar, de achar que o erro foi meu. Preciso encontrar uma maneira de voltar a viver e parar de viver em função de uma coisa que não aconteceu. Por favor... me ajuda, diário.

sábado, 2 de maio de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 42 - sonho

Acabo de acordar de um sonho triste. Sonhei que era feliz.

Autoria: Everson Bertucci

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 41 - engano

No segundo encontro eu estava no auge da ansiedade. Dominada pela vontade de encontrá-lo e ao mesmo tempo a possibilidade de ter me iludido e tudo não ter passado de apenas uma construção imagética. E dentro de mim o fantasma que sempre me persegue: o medo da rejeição. Felizmente, foi perfeito, diário! Não houve ilusão, nem rejeição... pelo menos não naquele momento.

Autoria: Everson Bertucci

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 40 - jardim de rosas vermelhas

Venho pensando muito na morte. Talvez seja a solução, apesar do meu medo. Não quero fazer mais nenhuma vítima. Vejo-a como solução para a solidão, o sofrimento, a angústia, essa dor silenciosa que me mata... “dor silenciosa que me mata”. Devo estar mesmo ficando louca! Nem assim consigo chorar. Apesar do meu medo, vejo a morte como um jardim de rosas vermelhas. Se olhar fixamente para elas, elas vem e te desligam.

Autoria: Everson Bertucci

terça-feira, 28 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 39 - o olhar da solidao

Hoje fui tomada por um momento sublime, diário. Lembranças de um amor que poderia... me veio à memória o momento do primeiro contato. Diário, nos conhecemos num lugar em que, normalmente, as pessoas não se conhecem. Pelo menos não para se amar. Num lugar em que nenhum de nós dois poderia imaginar encontrar alguém para se relacionar. Ele que me abordou. No primeiro momento não me interessei, mas sua delicada insistência me fez olhar dentro de seus olhos. Foi isso, foi neste exato momento que me perdi. Seus olhos me seduziram e não resisti. Depois, seu senso de humor. Ele me fez rir, diário. De uma maneira tão leve e substancial que em questão de segundos tudo se apagou. Éramos só nós dois. Não havia mais ruídos, luzes, nem sequer vestígio humano. É isso que acontece quando se é encantada. Em seguida, o toque. A maneira de acariciar a minha mão, de tocar minha boca, de sentir o meu cheiro, de olhar bem dentro dos meus olhos e não precisar dizer palavra. Nunca me senti tão a vontade com alguém em tão pouco tempo. Eu sabia que era especial. Só não sabia que estava sozinha.

Autoria: Everson Bertucci

domingo, 26 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 38 - discussao hilariante

Dez minutos depois bateu o arrependimento e liguei pra ele. Veio dizendo que estava muito chateado, mas tudo bem. Tudo bem, nada. Quando a pessoa diz que está “tudo bem”, pode ter convicção: não está nada bem. Tive a certeza no encontro seguinte. “Fizemos amor” e ele começou a cobrar de mim um pouco mais de “empolgação”. Disse que eu estava muito passiva, que era só ele quem procurava e acabou voltando ao episódio do banquete. Eu não tenho culpa se ele é um devasso sexual. Ele não me dava tempo de sentir vontade. Nunca vi uma ganância pelo ato de fazer amor. Ai, diário, não estou reclamando, só constatando. Oi? Eu, querendo me gabar? Ai, diário, pára com isso! Claro que não. Sei que ele ficou cobrando uma postura sexual mais “descarada” da minha parte. Preciso te confessar uma coisa: nunca gostei tanto de ver – ou melhor, ouvir, pois as luzes estavam apagadas – alguém brigando comigo. Estávamos brigando por causa de sexo. Ele reivindicava a uma “atitude sexual mais ativa”. Eu adorei. Enquanto ele falava e falava, eu – no escuro – levei as mãos à boca e ria escandalizadamente feliz com as coisas que ele dizia. Foi uma briga linda. É claro que nas pausas que ele dava, eu respirava fundo e dizia alguma coisa do gênero “indignada com aquela discussão” e assim que ele voltava a falar eu voltava a rir. Tem noção do que é alguém discutir com você reivindicando sexo? Oi? Ah, tá! A minha vontade era de gargalhar. Mas nunca alguém havia brigado comigo daquela forma. Eu não podia estragar aquele momento. Sem falar que se ele desconfiasse que eu estava achando aquilo hilário, seria mais uma briga. Brigamos até a exaustão e “fizemos amor” mais uma vez.

Autoria: Everson Bertucci

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O DIARIO DE ALICE - EPISÓDIO 37 - depois do banquete

Bem, diário, agora que estamos mais íntimos, vou te contar o que aconteceu depois do banquete. Comemos, foi tudo bonito e tranqüilo. Ele gostou, veio me beijando, me acariciando. Eu só queria dormir. Estava exausta. “Vamos fazer amor?”. “Agora não! Vamos dormir um pouquinho”. “Quero fazer amor com você”. “Depois”. “Não. Agora!”. Ai, diário, “fizemos amor” a noite inteira. Eu precisava dormir. Ele continuou insistindo e eu dizendo “não”. Até que na décima quinta tentativa dele eu não resisti e... “você está surdo ou o quê?”. Você acha que eu fui grossa, diário? Brigada pela gentileza, mas dessa vez eu reconheço: eu fui grossa. Mas ele precisava entender que sexo é pra ser gostoso e não uma tortura. É claro que ele não entendeu. Brigamos a tarde inteira um acusando o outro de ter estragado tudo. Não houve acordo. Ele foi embora convencido que eu havia estragado tudo e eu fiquei em casa – agora sem sono – achando o contrário.

Autoria: Everson Bertucci

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O DIARIO DE ALICE - EPISÓDIO 36 - o olhar

Olha, querido diário, preciso te falar uma coisa de cunho íntimo e preciso que você prometa nunca contar nada pra ninguém. Promete? Oi? Te ofendendo, eu? Não, não é isso. Eu confio, mas preciso que você jure. É que muito é muito íntimo. Entenda. Você promete? Hein, diário, promete? Greve de silêncio de novo não. Fala alguma coisa. Não vai falar mesmo? Tá bom! Você tem razão. Acho que você já deu provas o suficiente de confiança. Lembra da noite em que o conheci e que o olhar dele me deixou extasiada... nós transamos naquela mesma noite. Ai, não sei. A loucura foi tanta que me entreguei logo de cara. Transamos e foi maravilhoso, ou melhor, “fizemos amor” como ele mesmo disse. Agora fala pra mim, um homem que logo na primeira transa diz que “fizemos amor” é ou não é o homem pra se lavar a cueca e fazer comida pelo resto da vida? Brigada!

Autoria: Everson Bertucci

terça-feira, 21 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 35 - retrato do sono

Ele não foi o único a surpreender. Eu também lhe fiz uma bela surpresa, que embora clichê, muito romântica. Passamos juntos a noite de aniversário dele. Eu fiz de conta que não lembrava de nada, a geladeira vazia, tudo normal como sempre. Mal sabia ele que eu iria lhe preparar uma surpresa. Levantei um pouco mais cedo e pé ante pé fui até a cozinha. Na tarde anterior, eu havia ido ao supermercado e comprado várias coisinhas que ele gostava de apreciar. Escondi tudo dentro da gaveta de baixo da geladeira. Coloquei umas sacolas de legumes por cima e deu certo, ele nem desconfiou. De manhãzinha, na verdade já dava quase meio dia, porém, “de manhãzinha”, levando em consideração que fizemos “coisinhas” até às seis da manhã. Depois de tudo pronto voltei para o quarto, coloquei a melhor toalha de mesa sobre a cama, deixei-a bem bonita e sobre ela, duas bandejas. Suco natural de pêssego, biscoitos doces e salgados, pão preto integral, frios, mamão cortadinho em cubos espetado no palito, alguns guardanapos coloridos, duas xícaras grandes e coloridas, para apreciarmos o suco natural de pêssego e finalmente, chocolate branco – que ele venera. “Ai que alívio!”. Sentei ao lado da cama e fiquei olhando ele dormir. Lembrei-me dos inúmeros dias em que coloquei meu sobrinho mais novo para dormir. Tinha esquecido como é lindo ver um anjinho dormir e sempre o mesmo desejo: que o tempo parasse perante aquela imagem do sono. Minha experiência com o bebê me fez acreditar que “o tempo não pára”. Acordei-o com um beijo quente no rosto. “Bom dia!” “Bom dia!”. “Que horas são?” “Hora de tomar café”. Retribuiu o beijo, diário. Ficamos abraçadinhos por alguns minutos e em seu ouvido eu perguntei “Tá com fome?” “Tô”. E apontando para o banquete, eu disse... Oi? Banquete sim, diário. Que petulância! Por quê não seria um banquete? Só porque era simples? Pois saiba que foi feito com muito carinho e é isso que importa. Me impressiona muito! Depois eu é que sou a insensível. Tá bom, eu desculpo. Perdi até a vontade de prosseguir. Oi? Tá bom. Apontei para o banquete e disse “então come!”. Ele ficou sem palavras. Totalmente surpreso. Foi tão bonito. Só pelo olhar que ele me lançou... valeu a pena, apesar do meu sono. Mas o olhar dele fez tudo valer a pena. “por quê tudo isso?” “Ah, porque você merece e por ser o seu aniversário”. Outro beijo e outro e outro e outro e outro e outro e outro... ai, tá bom, diário, eu paro!

Autoria: Everson Bertucci

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 34 - vermelho royal

O mais engraçado foi no “reveillon”. Naquela loucura toda das ligações que ele me fazia, só alimentava ainda mais as minhas elucidações. A cada conversa mexia com sensações desconhecidas por mim. Me arrumei como se estivesse me preparando para fazer a virada de ano com ele, ou melhor, me preparando para passar todas as vindouras passagens de ano ao lado dele. Tomei um banho bem demorado com direito a todos os sais existentes, algumas colônias para atrair bons fluidos, tratei bem dos cabelos e os deixei bem macios e sedosos. Passei o mesmo perfume que estava quando o conheci, enfim... fiz todo um ritual apaixonado, inclusive um vestido longo e vermelho, vermelho royal - pra ser mais exata – a cor da paixão. Eu queria muito iniciar o ano pensando nisto. Estava com minha mãe, minhas duas irmãs e um casal de sobrinhos. Na hora exata da passagem, em que as champanhas eram abertas e os fogos eram soltos - aconteceu de novo - a multidão onde nos encontrávamos se apagou. Ficamos só eu e meu sobrinho, ou melhor, o meu sobrinho ficou comigo. Eu fiquei com meu sobrinho e com ele. E ao som dos fogos estourando e espumas fervilhando... pulávamos freneticamente, como três crianças de nove anos. Ele me fez voltar à fase mais bonita da existência. Como é bom ter nove anos. Como é bom pular e dançar quando se tem apenas nove anos. Estou tentando chorar, diário, mas não consigo. Não consigo. Fiz alguma coisa errada. Acho que foi o vermelho royal.

Autoria: Everson Bertucci

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 33 - viagem a dois

Ultimamente venho me alimentando de lembranças. Lembranças de coisas que no momento vivido não pareciam ter tanta importância. Lembranças de detalhes da viagem. Oi? Ah, é! Eu não te falei da viagem. É que na época eu ainda não era sua amiga. No dia seguinte, após o nosso primeiro encontro eu fiz uma viagem que havia sido planejada antes de conhecê-lo. Uma viagem longa, bem longa, diário. Apesar dele não ter ido comigo, ele estava ao meu lado durante todo o percurso. O seu toque suave em minhas mãos. Seu senso apurado de humor, tudo de inusitado que acontecia, eu imaginava seus possíveis comentários. Seus dedos quentes passeando sobre meus lábios e aquele olhar... que me consumia o olhar. Você acha, diário? Tem razão, foi bonito, sim.

Autoria: Everson Bertucci

sábado, 18 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 32 - a dança

Não devia ter ligado. Ele foi simpático, perguntou como eu estava. Eu disse que estava mais ou menos. Problemas. Sabe aquelas perguntinhas irônicas e extremamente desagradáveis “e aí, está namorando?”. Minha vontade foi de gritar “não, não estou namorando. Acabei de levar um fora de um idiota que não percebeu que eu sou uma pessoa maravilhosa!”. Mas simplesmente respondi calmamente e em tom de brincadeira “não. Acabei de levar um fora, mas estou tranqüila”. Ele ainda teve o desplante de dizer “ai, que pena!”. “acha mesmo? Então volta pra mim e me faça a mulher mais feliz do mundo!”. É claro que esta frase ficou só no meu pensamento. Disse uma dessas frases idiotas quando não há mais nada a dizer “Pois é, né!?”. Perguntei como ele estava. Disse que estava meio deprimido, pensativo. Tinha pensado muito em nós e que havia tomado uma decisão. Que gosta muito de mim, mas que não queria nenhum compromisso sério... que tinha acabado de sair de um relacionamento complicado, que ela estava querendo voltar, embora ele não quisesse... essas frases que eles pensam que consolam, mas que só servem para nos calar a boca e nos deixar com pena deles. É claro que eles têm consciência disso, diário. Mas quem disse pra que eu queria um relacionamento sério? Nessas alturas do campeonato eu me contentaria com qualquer migalha. “Você me ligou depois de tanto tempo só para terminar comigo ou somente pelo prazer de me torturar? Talvez isso não faça a menor diferença, mas minha vida acabou depois que você parou de me ligar, aliás, eu não sei porque eu continuo a respirar já que não existe mais sangue na minhas veias e nem células vivas dentro de mim”. Só não cravei uma punhalada no meu peito, como prometi, porque esqueci de levar a faca pra perto do telefone. Ai, Diário...

Autoria: Everson Bertucci

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 31 - caixa postal

Adivinha, diário!? Acabo de acessar minha caixa de mensagens e lá, inacreditavelmente, uma mensagem dele “QUANDO PUDER, ME LIGA PRECISAMOS CONVERSAR. VOCE SUMIU, ESPERO QUE NAO ESTEJA CHATEADA COMIGO E... DESCULPA ALGUMA COISA”. Adorei o “desculpa alguma coisa”. Claro que perdôo, meu bem! Desde que você me cubra de beijos e me leve ao altar! Ai, diário, bem que podia ser verdade, né? Será que ele está arrependido e vai querer voltar pra mim? Será que ele finalmente percebeu que cometeu um grande erro ao me abandonar? Ai, diário, será? Pois se for, ele que vá pensando que eu vou perdoar. Abandona a hora que quer, depois é só estalar os dedos e fica por isso mesmo? Ah, mas não vai ser assim mesmo. Ele precisa aprender, diário. Vai ter que sentir na pele e passar por tudo o que eu passei. Quer dizer, tudo não. Não quero que ele fique com outra. Ai, diário, já vai começar? Não se trata de vingança. É justiça! Os homens são assim: fazem o que bem entendem, depois acham que um simples pedido de perdão resolve tudo. Mas comigo não vai ser assim, não. Ele que se prepare. Vou ser totalmente indiferente. Fazer de conta que eu estou maravilhosa, que esses dias foram absolutamente normais e que eu estou mais feliz do que nunca. Você não acha que estou certa, diário? Brigada! Imagina, tenho tudo sob controle. Será? Será que ele pode querer terminar de vez comigo? Não, ele não ligaria depois de tanto tempo só para terminar. Ligaria? Ele seria capaz de fazer tamanha crueldade comigo, diário? Se ele fizer isso, eu juro que me mato. Vou ficar com uma faca ao lado do telefone e assim que ele terminar comigo, cravo uma punhalada no peito e faço ele ouvir todo o meu agonizamento até o último suspiro. Quero ver se ele vai ter coragem de fazer isso com outra pessoa.

Autoria: Everson Bertucci

terça-feira, 14 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 30 - cartas viradas

Como as cartomantes conseguem ser tão enigmáticas e irritantemente desagradáveis, diário? Dizem sempre as mesmas coisas: "vejo um grande amor, na sua vida!", "você vai ser muito feliz, minha filha" e quando a gente pede uma informação mais específica elas logo sapecam uma resposta enigmática do tipo "quando você menos esperar". O problema é que eu vou estar sempre esperando. Como ela fala isso pra uma pessoa desesperada, à beira de ataque cardíaco, diário? Eu só queria que ela falasse quanto tempo, quanto tempo, mas elas não falam, nunca falam. Querem é que a gente se desespere e morra de curiosidade pensando que a qualquer momento o homem de nossas vidas apareça e solucione nossos problemas. Eu sei que o que ela me disse é tudo mentira e que ela não passa de uma vigarista que vive às custas de idiotas carentes e abandonadas como eu. O pior de tudo não é isso, diário. O pior é que... quem disse que eu quero ouvir a verdade?

Autoria: Everson Bertucci

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O DIARIO DE ALICE - EPISÓDIO 29 - covardia

Andei pensando bastante sobre o que lhe falei ontem e decidi que não vou me matar. Na verdade não foi bem uma decisão, foi falta de coragem mesmo. E depois fiquei me lembrando daquele filme "Amor Além da Vida" em que a protagonista se mata e vai para o, digamos, jardim dos suicidas. Um lugar muito deprimente, eu não ia gostar. Ia acabar morrendo de novo de depressão e de depressão por depressão, prefiro ficar deprimida aqui mesmo na terra, que por pior que seja, eu já conheço e sei bem como é. Sem falar, dizem, que os suicidas não tem perdão. Será que isso é verdade, diário? Bom, na dúvida, melhor ficar viva mesmo. Mas eu preciso encontrar uma maneira de sair dessa. Preciso parar de pensar NELE. Preciso encontrar um novo amor. Na verdade um "novo amor", não. Um "amor" apenas, porque o que eu sinto por ele ainda não é amor, talvez possa se tornar um dia, mas ainda não é. Não é. Uma vez, diário, uma cartomante disse que... é isso! Preciso procurar uma cartomante pra ver o meu futuro.

Autoria: Everson Bertucci

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 28 - vazio

Oi, diário! Eu cumpri o que prometi: fiquei com outro. Uma sensação pior, foi isso que eu consegui. A pessoa até que era legal, mas eu só fiquei pensando NELE. Eu sei que isso não se faz, mas eu fiz. Você acha que Deus vai me castigar? Brigada! Foi só uma aventura de carnaval. Abracei muito o OUTRO. Ficamos a noite toda abraçadinhos, mas foi só uma aventura carnavalesca. Ele tinha um abraço tão gostoso! Eu sabia que não ia passar daquilo. A gente ia trocar telefone, mas nenhum ia ligar, tudo como sempre acontece, mas ele, o OUTRO, me deu um fora. Me deixou sozinha naquele salão imenso e vazio. Será que as pessoas são tão insensíveis que não percebem que eu estou absolutamente fragilizada? Tudo bem, mas ele não tinha esse direito, eu é que iria dar o fora. Agora, diário, vê se eu não estou certa: no estado que eu me encontro atualmente, não posso sair por aí sendo descartada. Será que ninguém entende isso? Não sei mais o que pensar. Vou me matar.

Autoria: Everson Bertucci

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 27 - conclusão amarga

Sabe, diário, existem dois tipos de pessoas no mundo: as que são e as que não são bonitas. E a diferença é bem simples: as bonitas são amadas.

Autoria: Everson Bertucci

terça-feira, 7 de abril de 2009

O DIÁRIO DE ALICE - EPISÓDIO 26 - necessidade

Diário, aquela parte que eu falei está me enlouquecendo. Eu tento enganá-la - olhando pra outros, ouvindo a marchinha do carnaval, sorrindo e conversando com os amigos, fazendo louvores à Dionísio - mas não adianta, ela é muito esperta. Ela desvia todo e qualquer tentativa de fuga. Que vontade olhar em seus olhos e repetir "estou tão feliz por você estar aqui!". Segurar em suas mãos e perceber que, pelo menos por alguns segundos, não estou só. Ilusões! Eu preciso delas, diário.

Autoria: Everson Bertucci